SÍMBOLOS & TRADIÇÕES

 

LENÇOS DOS NAMORADOS

O "lenço dos namorados" ou também designado por "lenço dos pedidos" representa uma componente fundamental da arte e da cultura popular portuguesa. Esta forma poética e artística era utilizada pelas moças do Minho, em idade de casar. Constituído por um quadrado de linho ou de algodão, que a jovem bordava a seu gosto, este lenço fazia parte do traje típico feminino e tinha uma função fundamentalmente decorativa. Para além destas funções, havia também a de conquistar o “suposto namorado”. A moça quando estava próxima da idade de casar, bordava o seu lenço a partir de um pano de linho fino que por ventura possuía ou de um lenço de algodão que adquiria na feira dos chamados "lenços da tropa". Para realizar esta obra a rapariga utilizava os conhecimentos que conhecia sobre o ponto de Cruz, adquiridos na infância, aquando da confeção do seu marcador ou mapa. Depois de bordado o lenço ia ter às mãos do "namorado" e eram em conformidade com a atitude deste de usar publicamente ou não, que se decidia o início de uma ligação amorosa. Os lenços carregam consigo, por isso, os sentimentos amorosos de uma rapariga em idade de casar, revelados através de vários símbolos amorosos como a fidelidade, a dedicação, a amizade, etc. Os erros ortográficos que, muitas vezes se encontram nos textos dos lenços antigos explicam-se pelas características da pronúncia minhota transcrita foneticamente por quem tinha um domínio imperfeito da escrita da língua portuguesa. Relativamente aos lenços bordados a ponto de Cruz, pelas moças senhoriais, os erros são menos evidentes e frequentes.

















A FILIGRANA

Portugal, país de seculares tradições na arte da joalharia portuguesa, conta com uma vasta herança de jóias de beleza intemporal. As descobertas marítimas foram determinantes na evolução do sector joalheiro neste País. As gemas vindas do oriente já no século XV; e mais tarde, no século XVIII, a grande afluência de ouro, diamantes, pedras preciosas e semipreciosas vindas do Brasil, enriqueceram a metrópole (Lisboa) levando a nobreza e outras classes sociais que entretanto prosperavam à procura crescente de jóias. Esta abundância de metais e pedras preciosas e a grande valorização das mesmas, levaram ao surgimento de grandes mestres de ourivesaria que revolucionaram o conceito e as técnicas das jóias fabricadas entre os finais do século XVIII e século XIX, colocando Portugal no panorama de produção de joalheira na Europa. A Filigrana consiste numa técnica de ourivesaria que resulta na combinação de delicados e finíssimos fios e pequenas bolas de metal, soldadas de forma a compor um desenho. O material privilegiado é o ouro, mas a prata, o bronze e entre outros materiais são também utilizados. A Filigrana foi utilizada na joalharia desde a antiguidade greco-romana, sendo ainda empregada em objetos decorativos. Atualmente, as peças de Filigrana podem ser encontradas com enorme visibilidade na região norte de Portugal no concelho de Gondomar - e em Braga, no concelho da Póvoa de Lanhoso particularmente na "aldeia do ouro" de Travassos - contando esta povoação, presentemente, com cerca de vinte pequenas oficinas. Tipologicamente, as jóias fabricada em maior número, pelos centros produtores do noroeste de Portugal são os de uso pessoal - com destaque para as argolas de Viana, os brincos da rainha, os corações filigranados, os medalhões, as cruzes e os colares minhotos. Constituindo-se como ornamento e símbolo de distinção social, a Filigrana em ouro revela-se ainda um investimento e uma mais-valia do agregado familiar. Os objetos de Filigrana portuguesa são usados quer como ornamentos preciosos para ocasiões festivas especiais, quer por recursos materiais, integrando e enriquecendo a tradicional indumentária dos portugueses do Minho e Douro Literal.




BARCO RABELO

O barco Rabelo é uma embarcação portuguesa típica do Rio Douro, que tradicionalmente transportava as pipas do vinho do Porto do Alto Douro. As vinhas localizam-se ate Vila Nova de Gaia - Porto, onde o vinho era armazenado e, posteriormente, comercializado e enviado para outros países. Com uma vela quadrada, o Rabelo era manejado normalmente por seis ou sete homens. Remetendo agora um pouco a história desta embarcação e de salientar que estes barcos passam a ter identidade bem definitiva, a partir de 1792, quando a Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, publicou o alvarás e mais documentos que se relacionavam com a notável instituição pombalina. Nessa publicação, conhecida vulgarmente por " leis da companhia ", encontram-se preciosas informações referentes tanto ao barco como os seus tripulantes, como ainda ao tráfego a que se destinavam. No passado, grandes barris de vindo do Porto viajavam nos revelou pelo Rio Douro. Foi a margem deste rio que o Porto cresceu. No final da idade media ele já era um importante entreposto comercial, no qual negociavam peixe, sal e Vinho. Atualmente, a cidade e a segunda maior cidade de Portugal e compõe, com Vila Nova de Gaia, um importante centro comercial e industrial. Com a conclusão, em 1887, da linha de caminho-de-ferro do Douro e o desenvolvimento das comunicações rodoviárias durante o século XX, o tráfego fluvial assegurado pelos barcos Rabelos entrou em declínio. Em 1961, no início do programa de aproveitamento hidroeléctrico do Douro Nacional, apenas restavam seis barcos em actividade permanente. Atualmente, com uma atividade diferente, os Rabelos são utilizados na famosa regata de São João aquando das festas populares da cidade do Porto, passeios no Rio Douro e outras iniciativas para recordar os seus tempos de glória. Os barcos rabelos ainda hoje podem ser encontrados no Porto. Contudo são, ao contrário de outros tempos, usados para o transporte de turistas ou para atravessar o rio desde o Porto ate Vila Nova de Gaia, local onde os turistas podem visitar algumas caves de vinho do Porto.

















O FADO

O Fado é, hoje em dia, um símbolo mundialmente reconhecido de Portugal, desde há muitos anos representado no estrangeiro por Amália Rodrigues, e mais recentemente por Dulce Pontes, entre outros. Pelo mundo fora, ao nome do nosso país associam-se de imediato duas coisas: as toiradas e o Fado. Adquirindo diversas formas consoante seja cantado no Porto, em Coimbra ou em Lisboa, o Fado é, por direito próprio, a expressão da alma portuguesa. O nosso país está, desde o seu nascimento, embebido num cruzamento de culturas. Foram primeiro os diversos povos que habitaram a zona que mais tarde se transformaria em Portugal e que deixaria os seus traços, foram os que invadiram o país já depois do seu nascimento, e são, ainda hoje, os diversos povos que aqui habitam e que contribuem para uma cultura comum. É neste sentido que é complicado apontar com toda a certeza a origem do Fado, mas todos os estudiosos garantem que esta remonta há muitos séculos atrás. A explicação mais aceite, pelo menos em relação ao fado de Lisboa, é a de que este teria nascido a partir dos cânticos dos Mouros, que permaneceram nos arredores da cidade mesmo após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia daqueles cantos que é tão comum no Fado, estaria na base dessa explicação. Hoje, no entanto há quem diga que na realidade o fado entrou em Portugal, mais uma vez pela porta de Lisboa, sob a forma do "Lundum", uma música dos escravos brasileiros, que teria chegado até a nós dos marinheiros vindos das suas longas viagens, cerca de 1822. Só após algum tempo é que o "Lundum" se foi modificando, até se ter transformado no nosso Fado. A suportar esta hipótese está o facto de que as primeiras músicas dentro do género estavam ligadas não só ao mar como às terras para lá daquele, onde habitavam os escravos. Veja-se o exemplo de uma das músicas cantadas pela Amália chamada "O Barco Negro", que fala precisamente de uma sanzala. Uma outra hipótese considerada remonta o nascimento do fado na Idade Média à época dos trovadores e dos jograis. Já nessa altura se encontravam nas músicas características que ainda hoje o fado conserva. Por exemplo, as cantigas de amigo, que eram os amores cantados por uma mulher, têm grandes semelhanças com diversos temas do fado de Lisboa. As cantigas de amor, que eram cantadas pelo homem para uma mulher, parecem encontrar parentesco no Fado de Coimbra, onde os estudantes entoam as suas canções debaixo da janela da amada. Temos ainda, da mesma época, as cantigas de sátira, ou de escárnio e mal dizer, que são ainda hoje mote tão frequente do fado, em críticas políticas e sociais. De qualquer modo, o fado parece ter surgido primeiramente em Lisboa e Porto, sendo depois transportado para Coimbra através dos estudantes Universitários (já que Coimbra foi, durante muitos anos, a cidade Universitária por excelência), e tendo aí adquirido características bastante diferentes.